Estrelinha acordou de madrugada com um grito da sua mãe. Será que o bicho-papão apareceu? Estrelinha sabia o feitiço certo para afastá-lo bem rapidinho: acender as luzes.
Ela correu para o quarto de seus pais se perguntando se o seu pai não sabia como afastar esse monstro assustador. Quando chegou viu sua mãe terminando de colocar um vestido com muita dificuldade e seu pai corria de um lado pra outro do quarto pegando carteira, chaves e resmungando alguma coisa.
-O seu irmãozinho tá chegando, querida. - disse sua mãe tentando manter a calma, mas seu rosto dizia ao contrário.
-Agora? Como ele é mal-educado! Ainda é de noite! Como ele quer vir para cá agora? - Estrelinha esta indignada.
Sua mãe deu outro grito e seu pai correu para a porta da casa.
Estrelinha não estava entendendo mais nada. Sua mãe não parava de gritar com expressão de quem acabou de levar um baita tombo de bicicleta e seu pai corria para a porta e voltava. Esse menino vai chegar agora? Quando a mamãe parece doente?
-Chegou! O táxi chegou! - seu pai gritou correndo para o rumo de sua mãe.
-Finalmente! Vou brigar com ele agora mesmo. Como irmã mais velha, devo dar uma lição nele por chegar aqui agora.
A avó de Estrelinha entrou em casa e abraçou a mãe de Estrelinha.
-Estrelinha, fique aqui com a vovó. Eu e a mamãe vamos pro hospital. Voltamos logo, ta?
Hospital? Como assim? Mamãe estava tão mal assim que o papai tinha que ir pro hospital com ela? E o irmãozinho? Não estava chegando?
Antes que Estrelinha pudesse perguntar alguma coisa a porta de casa já tinha se fechado e a vovó já havia mandado ela voltar a dormir.
Dormir... Sei... Como se ela fosse conseguir tal proeza nessas circunstancias.
Estelinha voltou para a sua cama com a cabeça mais confusa que quebra-cabeça desmontado e logo adormeceu.