sexta-feira, 19 de março de 2010
Profissão
Mas havia uma profissão que Estrelinha sempre dizia que queria e nunca mudava:
- Mãe, eu vou ser atriz e bailarina.
- Eu vou ser uma cantora famosa e bailarina.
- Ah! Serei uma médica e bailarina.
Nunca houve uma bailarina que pudesse ser tantas coisas ao mesmo tempo. Mas Estrelinha, sem dúvidas, podia ser qualquer coisa e ainda se tornar uma delicada bailarina, afinal, Estrelinha tinha uma imaginação ilimitada.
A mãe de Estrelinha só ficava triste por não poder ajudar a sua filha a realizar o seu sonho. As aulas de ballet eram caras para o orçamento familiar que ficava cada vez menor. O irmãozinho de Estrelinha não havia saído da barriga da mamãe, mas já tinha tomado conta de boa parte da renda.
Depois de ler vários contos com bailarinas, Estrelinha só confirmava o que queria ser quando crescesse. A cor rosa combinava bem com ela.
Certo dia, a mãe de Estrelinha soube da pequena escola de bailarinas perto da escola na qual Estrelinha estudava e decidiu que faria um esforço para deixar sua filha seguir um sonho. Foi então que Estrelinha teve o seu primeiro encontro com o ballet fora das páginas de um livro.
A professora Raquel, uma mulher com um belo sorriso, conversou em um canto com a mãe de Estrelinha sobre as aulas. Enquanto isso, Estrelinha assistia fascinada as meninas vestidas como bailarinas fazendo movimentos leves com os braços e pernas.
Depois de conversarem, a professora Raquel se aproximou de Estelinha e perguntou o porquê ela queria fazer ballet.
- Porque eu li que as bailarinas são felizes dançando. Eu também quero dançar.
Estrelinha saiu de lá com a sua mãe rodopiando e muito feliz por saber que depois voltaria para lá e se tornaria uma bailarina com sapatilhas.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Domingo
Estrelinha sempre achou que isso era lorota, já que a Betina, a vizinha que tinha várias bonecas para brincar, não visitava avó nenhuma aos domingos. Mas Estrelinha não discordava da mãe. Achava legal ver sua avó.
A casa da avó de Estrelinha tinha cheiro de bolo de chocolate. Sempre que chegava a sua avó lhe dava um beijo na bochecha e uma fatia bem grande de bolo com muita calda de chocolate. Era a melhor parte.
Naquele domingo não foi diferente. Estrelinha chegou lá com o seu pai, sua mãe e a barriga da sua mãe, que já podia ser contada como mais um membro da família, e foram direto para a cozinha.
Seus pais ficavam conversando sobre coisas chatas como remédios, médicos e dinheiro. Estrelinha dava um jeito de fugir e ir brincar no quintal com a Lili.
A Lili era muito divertida. Ela corria quando Estrelinha jogava um galho do chão que caira do pé de goiaba e trazia de volta. Tinha o pelo curto e preto, as orelhas grandes caídas e era muito alegre.
Estrelinha e Lili passavam o dia brincando de pega-pega, de pega e traz e de detetive, que era a brincadeira preferida. Lili era sua parceira para descobrir os mistérios que envolviam o crime, geralmente, realizados pelo terrível Criminoso da Noite!
No final do dia, Estrelinha se despede de sua parceira, de sua avó e volta para o seu castelo com sua família, pensando que no próximo domingo, sem dúvidas, iriam conseguir pegar o Criminoso da Noite.
quarta-feira, 3 de março de 2010
A escolinha
- Acorde Estrelinha... Está na hora de ir pra escolinha.
- Meus olhos não abrem mãe. Eles querem dormir. - disse com preguiça na voz se virando na pequena cama.
- Pois diga pros seus olhos que se não abrirem não irão rever os seus amiguinhos hoje.
Estrelinha deu um salto da cama.
- Preciso me arrumar. - falou decidida.
O quarto de Estrelinha era pequeno e só tinha uma cama e um guarda-roupa branco que parecia ser de quarta mão. Mas Estrelinha nunca ligou pra isso. Sua mãe que sempre fala que um dia ainda irá dar para ela um quarto de princesa! Mas pra Estrelinha, aquele era o seu castelo.
Sua mãe a ajudou a colocar o uniforme da escola, blusa branca com um emblema azul no canto direito, a saia jeans e o tênis branco, afinal aquele laço é complicado demais!
Juntas foram pra cozinha e a mãe de Estrelinha a entregou um copo de leite morno como ela gosta e um pão francês com margarina e queijo. Bebeu tudo de uma vez, comeu o pão com pressa, pegou a pequena mochila cor de rosa e disse:
- Mãe! Vamos! Vamos!
- Calma Estrelinha.
A mãe de Estrelinha sempre precisava, antes de sair, deixar um recado na geladeira para o pai de Estrelinha informando pra onde iria. Ele passou a ficar mais preocupado com ela quando a barriga da mãe de Estrelinha começou a crescer e a ficar tão grande que Estrelinha não entendia como não iria explodir.
Uma vez ela perguntou pra sua mãe o que era aquilo:
- É o seu irmãozinho.
- Mas a cegonha vem junto daí de dentro?
- Não é a cegonha, Estrelinha. O seu irmãozinho está aqui porque eu comi um caroço de melancia.
Desde então Estrelinha não come mais melancia.
Quando chegou à escola, Estrelinha largou a mão da sua mãe e correu em direção ao pátio. Então parou como se tivesse esquecido algo e virou-se dando um tchau para a mãe que retribuiu com outro indo embora em seguida.
Estrelinha amava o colégio. Principalmente porque tinha uma biblioteca cheia de livros que ela consumia no lugar dos doces que a mãe a proibia de comer o tanto que quisesse.
- Só um bombom, Estrelinha. Os outros são pra amanhã.
Os livros sua mãe não proibia. Ao contrário. Adorava contar pra as amigas o quanto Estrelinha lia todos os dias. E assim, os livros se tornaram o maior vicio de Estrelinha. Todos os dias ela lia e todos os dias ela se divertia.
No primeiro dia de aula de Estrelinha ela reviu os amigos, fez novas amizades, brincou de pega-pega, estudou como uma boa menina e escolheu um livro pra ler na biblioteca que tinha na capa uma bailarina muito bonita.
Quando o dia no colégio acabou e já era hora de Estrelinha almoçar, ela saiu da sala e já encontrou o pai a esperando. Ambos foram pra casa a pé e Estrelinha passou o resto do dia lendo e cantando bem alto a nova música que aprendeu no seu primeiro dia de aula.