sexta-feira, 28 de maio de 2010

Realidade e Fantasia no Cinema

Existe uma linha no cinema que separa o real do imaginário de forma bastante fantasiosa.

Ao assistir Nosferatu, de F. W. Murnau (1922), baseado no célebre romance Drácula de Bram Stoker, vemos um filme de horror representado teatralmente com uma pura dose de fantasia. Seu lançamento causou furor, tornando-se um dos ícones do chamado movimento cinematográfico do expressionismo alemão. Mas o cinema, como tudo no mundo, pede mudanças no decorrer dos anos. Depois de décadas os filmes de horror e suspense passaram a ser representados de forma mais real, mesmo sendo contos.

O ápice dos filmes desse gênero contendo representações mais realistas e menos teatral é Entrevista com o Vampiro (1994) baseado no livro da escritora Anne Rice, onde é possível ver um vampiro com todos os seus problemas pessoais sendo desvendados, o que torna-o mais real, mais humano. Louis, personagem principal, tenta de todas as maneiras continuar a ter sua essência humana, não sendo vencido pelo ser abominável que se tornou.

Um vampiro passou de monstro sem sentimentos para alguém racional, cheio de dor e conflitos internos.

No ano de 2008 nasceu um novo sinônimo para vampiro no cinema: Edward, personagem da famosa série de livros da autora Stephenie Meyer. Tanto nos livros Crepúsculo, Lua NovaEclipse e Amanhecer quanto nos filmes já lançados e em fase de gravação com os mesmos nomes, Edward é um vampiro que se apaixona por uma humana. A partir desse romance “proibido”, Edward passa a lutar contra sua essência vampiresca que deseja saciar a sua sede pelo o sangue da amada, pois para ele, Bella tem o sangue com o melhor aroma que já sentiu em toda sua existência de séculos, tornando-a uma tentação a mais. No decorrer da série, Edward consegue controlar sua vontade de mordê-la e continua com o seu romance acima das limitações que são impostas ao casal.

Os vampiros no cinema estão mudando. A maior característica dessa série criada por Stephenie Meyer é a evidente transição de filmes de vampiros para o gênero romance e drama. Antes o personagem fictício era somente visto como um assustador e perigoso vampiro, monstro imortal do folclore popular. Agora passa a ser visto como um maravilhoso vampiro, com todos os sentimentos humanos e incertos.

Acredito que a tendência do cinema é tornar os filmes algo real e possível de existir por mais fictício que seja. Assim, o público, mesmo sabendo que não passa de uma estória, começa a ter suas dúvidas.

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